Custo fixo e variável, o que é e exemplos

Todo gasto de uma loja cai em uma de duas gavetas. Custo fixo é o que existe mesmo quando ninguém compra nada, e custo variável é o que só aparece porque uma venda aconteceu.

A divisão parece simples, e boa parte das contas de gestão depende dela. A margem de contribuição, o ponto de equilíbrio e o preço mínimo de cada produto só saem certos quando cada gasto está na gaveta certa.

Este texto mostra o que entra em cada gaveta numa loja online, os casos que confundem e um terceiro comportamento que a divisão clássica esconde. Os valores são exemplo e servem para mostrar a mecânica.

O que é custo fixo

Custo fixo é o gasto que não depende do volume de vendas. Ele chega no mesmo valor num mês de cem pedidos e num mês de mil, e continua chegando no mês em que a loja não vende nada.

Fixo não quer dizer imutável. O aluguel sobe no reajuste e a folha cresce quando alguém é contratado, mas essas mudanças vêm de uma decisão da empresa, e não de um pedido a mais ou a menos.

O que muda com o volume é o peso do custo fixo em cada pedido. A loja do guia sobre ponto de equilíbrio tem R$ 13.000,00 de custo fixo, que dão R$ 32,50 por pedido num mês de 400 pedidos e R$ 21,67 num mês de 600.

O valor por pedido cai conforme a loja vende mais, e por isso ele nunca pode ser tratado como um custo do produto. Ele descreve o mês, e não o item.

Com o crescimento, o custo fixo também sobe em degraus. Um funcionário a mais, um galpão maior ou um plano superior da plataforma entram de uma vez, quando o volume passa de um certo ponto, e ficam depois disso.

O que é custo variável

Custo variável é o gasto que nasce com a venda. Sem pedido, ele não existe, e com o dobro de pedidos ele dobra junto, pelo menos na média.

A soma desses custos, descontada do preço, é a margem de contribuição. O guia sobre margem de contribuição e lucro bruto mostra por que ela decide mais do que a margem bruta.

O terceiro tipo, variável por pedido

A lista de custos variáveis mistura dois comportamentos diferentes. Uma parte acompanha o preço, e a outra acompanha o pedido, qualquer que seja o preço dele.

A garrafa térmica do guia sobre CMV sai numa embalagem de R$ 3,50 e tem frete médio de R$ 22,00. São R$ 25,50 por pedido, qualquer que seja o preço dela.

Preço do produto Frete e embalagem Peso no preço
R$ 59,90 R$ 25,50 42,6%
R$ 118,30 R$ 25,50 21,6%
R$ 199,90 R$ 25,50 12,8%

Os R$ 25,50 divididos pelos R$ 118,30 dão 21,6%. O mesmo valor sobre um produto de R$ 59,90 com a mesma caixa já consome 42,6% do preço.

Um percentual único de custo variável para a loja inteira erra cada produto dessa tabela. Ele acerta a média, cobra de menos do item barato e cobra de mais do item caro. É o problema que o guia sobre quanto o frete representa no custo do produto mede.

Na formação de preço, essa diferença decide a conta. O guia sobre como calcular o preço de venda mostra por que os valores por pedido entram somados, e só os proporcionais entram no divisor.

Custo ou despesa

Na contabilidade, custo é o gasto ligado ao produto, como a compra da mercadoria e o frete de entrada. Despesa é o gasto de operar e vender, como aluguel, comissão e frete de saída.

As duas divisões se cruzam. Existe despesa fixa, como o aluguel, e despesa variável, como a comissão, e o nome correto de cada linha importa para o DRE gerencial.

Para decidir preço e volume, a pergunta que pesa é outra. O que interessa é se o gasto muda com a venda ou não, e por isso o uso diário mistura custo fixo com despesa fixa sem prejuízo para a conta.

Os casos que confundem

Alguns gastos têm uma parte fixa e uma parte variável no mesmo boleto. A forma de tratar é separar as duas partes, cada uma na sua gaveta.

Um gasto que não cabe em nenhuma das gavetas quase sempre é um gasto misto que ainda não foi separado. Deixá-lo inteiro num lado só distorce as duas contas que dependem da divisão.

Uma planilha de custos fixos e variáveis

A planilha que resolve a divisão tem quatro colunas. O item, o valor do mês, a gaveta em que ele cai e a base que o faz mudar.

Item Valor do mês Gaveta Muda com
Aluguel R$ 3.500,00 fixo decisão da empresa
Comissão do canal R$ 6.400,00 variável preço da venda
Frete de saída R$ 8.800,00 variável cada pedido
Plataforma da loja R$ 790,00 misto mensalidade e vendas

Os valores da tabela são exemplo. A coluna da base é a que falta na maioria das planilhas, e é ela que separa o variável que acompanha o preço do que acompanha o pedido.

Por que a classificação muda as contas

O ponto de equilíbrio divide o custo fixo pela margem de contribuição. Um custo variável lançado como fixo aumenta o numerador e engorda a margem ao mesmo tempo. O resultado passa a valer só para o volume do mês em que a conta foi feita.

O caminho inverso também engana. Um custo fixo espalhado como percentual sobre cada venda parece variável, e o preço calculado com ele supõe um faturamento que ninguém escreveu, como o guia sobre preço de venda mostra.

A conta de quanto a loja precisa vender está no guia sobre ponto de equilíbrio. Ela só sai confiável depois que as duas gavetas estão separadas com cuidado.

Com os gastos da sua loja

Abra os pagamentos do último mês e passe cada linha para a planilha, com a gaveta e a base de cada uma. Os gastos que ficarem em dúvida são os mistos, e cada um vai dividido nas duas partes.

Depois divida a coluna do variável em duas, o que acompanha o preço e o que acompanha o pedido. É essa separação que mostra quais produtos pagam frete e embalagem com folga e quais mal chegam a pagar.

Com as colunas prontas, some o fixo e divida pela margem de contribuição média da loja. O resultado é o faturamento mínimo do mês, e a partir dele o guia sobre ponto de equilíbrio mostra o resto da conta.

Falar no WhatsApp Como funciona

Quando alguma dessas contas muda, sai no Observatório: tributação, frete, pagamentos e canais de venda, com o efeito no custo de cada pedido.