O que é CMV, o custo da mercadoria vendida

Equipe Truesail · Atualizado em

CMV é a sigla de custo da mercadoria vendida. É quanto custou, para a sua empresa, o produto que saiu naquele pedido.

Parece a mais simples das contas de uma operação, e é a que mais gente erra. A dificuldade está no tempo: o CMV envelhece, porque é cadastrado uma vez, no dia em que o produto entrou no sistema, e continua lá enquanto o custo real muda a cada compra nova.

Este guia mostra o que entra no CMV, por que o número cadastrado quase nunca é o número atual, e como calcular o custo médio quando você comprou o mesmo item por preços diferentes. Os valores são exemplo e servem para mostrar a mecânica.

O que entra no custo da mercadoria

Uma ressalva antes da lista, porque duas contas dividem essa sigla. A deste guia é por unidade, e serve para formar preço e medir a margem de um pedido. A outra parte do estoque do mês inteiro, mede tudo que saiu e não só o que foi vendido, e está no guia sobre o CMV do mês.

O custo de uma unidade tem três componentes, e o primeiro é o único que quase todo mundo lança. Os outros dois são os que o cadastro costuma perder.

O frete de entrada escapa com facilidade. Muitas vezes ele vem na própria nota de compra, e o erro está em dar entrada no produto sem ratear o frete entre as unidades.

Quando a transportadora cobra à parte, com vencimento próprio, a chance de erro aumenta. A cobrança é lançada como despesa de transporte e nunca volta para o custo do produto que a gerou. Quanto esse frete pesa em cada item é a conta do guia sobre quanto o frete representa no custo do produto.

Os impostos da entrada pedem dois cuidados. O primeiro é com o que já vem na nota: dependendo do produto e do fornecedor, ela traz IPI, ST ou outros valores somados ao preço unitário, e eles são custo da mercadoria tanto quanto o preço em si.

Alguns sistemas importam a nota trazendo só o valor do item e deixam o imposto de fora do custo, o que faz o produto entrar mais barato do que foi. A conferência é simples de fazer, comparando o total pago com o custo que ficou cadastrado.

O segundo cuidado é com o que pode vir depois. Conforme os estados envolvidos e o regime tributário, a compra interestadual pode exigir um recolhimento de ICMS na entrada, e quando esse valor não gera crédito ele também é custo de aquisição.

O guia sobre margem real mostra o efeito de esquecer só o frete de entrada, com 15% de custo invisível num produto antes de qualquer venda. Existe, porém, um erro mais silencioso que esquecer um desses itens, e é dele que este guia trata.

Você não comprou o produto uma vez

Quase todo item do catálogo foi comprado várias vezes, por preços diferentes e com fretes diferentes. O exemplo é uma garrafa térmica de 1 litro, comprada três vezes no mesmo ano.

Compra Unidades Valor na nota Frete da compra Frete por unidade Custo unitário
Março 60 R$ 42,00 R$ 180,00 R$ 3,00 R$ 45,00
Junho 36 R$ 47,50 R$ 168,00 R$ 4,67 R$ 52,17
Agosto 48 R$ 51,00 R$ 204,00 R$ 4,25 R$ 55,25

A tabela mostra duas coisas. O preço do fornecedor subiu 21% entre março e agosto, o que é normal em qualquer categoria ao longo de um ano.

O frete por unidade também mudou, por dois motivos que andam juntos. A compra de junho foi menor, então o custo do transporte se diluiu em menos peças, e o mesmo frete dividido por 36 unidades pesa mais do que dividido por 60.

Além disso, o valor do frete não cai na proporção do lote, porque taxas fixas e coleta existem em qualquer envio. Comprar menos sai mais caro por unidade mesmo quando o preço da nota não muda, e comprar mais costuma trazer desconto no frete além do desconto no produto.

O CMV cadastrado, provavelmente, ainda é R$ 45,00. É o custo da primeira compra, lançado quando o produto entrou no sistema.

Custo médio ponderado

Quando o mesmo produto entra por custos diferentes, o custo unitário correto é a média ponderada pela quantidade, e não a média simples dos preços. A diferença entre as duas muda o número.

Cálculo Valor
Média simples dos três preços de nota R$ 46,83
Total investido, com nota e frete R$ 7.230,00
Total de unidades 144
Custo médio ponderado R$ 50,21

A média simples ignora que você comprou 60 unidades baratas e 48 caras, e trata as três compras como se tivessem o mesmo peso. A ponderada divide o que você realmente gastou pelo que realmente entrou.

A conta cabe numa linha, e usa só números que as notas de compra já trazem. O frete entra somado ao valor pago, junto com os impostos da entrada.

Custo médio = (valor total pago, com frete e impostos de entrada) ÷ (unidades totais compradas)

O que isso faz com a margem

A mesma garrafa térmica, vendida por R$ 119,90 em marketplace, com embalagem de R$ 3,50. A comissão de 16% e a tarifa fixa de R$ 5,00 são números de exemplo.

Linha Com CMV cadastrado Com CMV real
Receita R$ 119,90 R$ 119,90
Custo da mercadoria −R$ 45,00 −R$ 50,21
Frete de saída −R$ 22,00 −R$ 22,00
Embalagem −R$ 3,50 −R$ 3,50
Comissão do canal, 16% −R$ 19,18 −R$ 19,18
Tarifa fixa −R$ 5,00 −R$ 5,00
Simples Nacional, 10% −R$ 11,99 −R$ 11,99
Resultado R$ 13,23 R$ 8,02
Margem 11,0% 6,7%

São R$ 5,21 de diferença por unidade, que parecem pouco. Esses R$ 5,21 são 39% do lucro que a loja achava que estava fazendo, e nas 144 unidades compradas somam R$ 750,24 de resultado que existia na planilha e não existia no caixa.

O produto continua igual ao que era. Quem ficou velha foi a conta.

Variações do mesmo produto custam diferente

Outro ponto onde o CMV escorrega é o produto com variações que herdam todas o mesmo custo. A mesma garrafa em 500 ml e em 1 litro não custa o mesmo na compra, não pesa o mesmo no envio e não ocupa o mesmo volume na caixa.

Cor, tamanho, voltagem e material mudam o custo de aquisição em graus diferentes. Às vezes mudam também a faixa de frete, como o guia sobre frete real e frete grátis detalha.

Quando as variações compartilham um cadastro só, o custo de uma acaba valendo para todas, e o resultado é previsível. A variação mais barata parece dar menos lucro do que dá, a mais cara parece dar mais, e as duas decisões que vêm daí, qual promover e qual descontinuar, saem invertidas.

O mesmo vale para o peso cadastrado. Se as variações têm pesos diferentes e o sistema guarda um só, o frete calculado está errado para todas menos uma.

Como manter o CMV vivo

Manter o CMV atualizado é uma rotina de cinco hábitos, e nenhum deles depende de ferramenta especial. O primeiro é o que mais pesa.

O que muda quando o CMV está certo

Com o custo real na mão, algumas perguntas passam a ter resposta. Dá para saber qual produto realmente dá margem, até onde vai o desconto de uma campanha e se o aumento do fornecedor foi repassado ao preço ou absorvido em silêncio.

Também dá para decidir se compensa comprar em lote maior, comparando o desconto no preço com o ganho no frete diluído. O custo médio é a base do preço de venda, e todo preço calculado sobre o custo antigo nasce curto.

O primeiro passo é curto. Pegue os cinco produtos que mais vendem, junte as notas de compra do último ano, some o que foi pago com frete incluído, divida pelas unidades que entraram e compare com o custo que está no cadastro hoje.

Se a diferença passar de 2% ou 3%, todas as margens que você calculou naquele produto estão erradas, e erradas para mais. O produto de maior giro é o primeiro a corrigir.

Perguntas frequentes

O que é CMV?

CMV é o custo da mercadoria vendida, o quanto custou cada unidade que saiu na venda. Por unidade, ele soma o valor da nota do fornecedor, o frete de entrada rateado e os impostos da entrada que não geram crédito.

O frete de entrada entra no CMV?

Entra, rateado pelas unidades da compra. Uma caixa que veio por R$ 180,00 com 60 unidades acrescenta R$ 3,00 ao custo de cada peça, e esse frete costuma se perder quando é lançado como despesa de transporte.

Como calcular o CMV quando o produto foi comprado por preços diferentes?

Pelo custo médio ponderado, que divide o total pago nas compras, com frete e impostos de entrada, pelo total de unidades compradas. A média simples dos preços de nota ignora quantas unidades vieram em cada compra e erra o custo.

Qual a diferença entre o CMV do produto e o CMV do mês?

O CMV por unidade serve para formar preço e medir a margem de um pedido. O CMV do mês parte do estoque inteiro e mede tudo o que saiu no período, como mostra o guia sobre o CMV do mês.

CMV é custo fixo ou variável?

É variável, porque acompanha a quantidade vendida e cada unidade que sai leva o próprio custo junto. Por isso ele entra na margem de contribuição, e não na conta dos custos fixos.

Onde o Truesail entra

No Truesail, o custo do produto é a primeira linha da conta de cada pedido, ao lado do frete, das taxas e do imposto. Quando o custo do cadastro muda, os pedidos seguintes já saem com o valor novo.

Por isso vale manter esse custo em dia, porque é dele que sai a margem de cada venda. A margem antes de faturar mostra onde ele entra.

Falar no WhatsApp Como funciona

Quando alguma dessas contas muda, sai no Observatório: tributação, frete, pagamentos e canais de venda, com o efeito no custo de cada pedido.