Cotação de frete, o que comparar antes de escolher

Toda cotação de frete termina num número, e é esse número que decide a escolha. Duas transportadoras, dois valores na tela, e o pedido vai pela mais barata.

O problema é que duas cotações raramente calculam a mesma coisa. Uma usa o peso da balança e outra o peso cubado, uma soma o seguro e as taxas e outra deixa tudo para a fatura. O número que parecia mais baixo pode ser o mais caro quando a cobrança chega.

Este guia mostra o que entra numa cotação de frete, o que costuma ficar de fora e como comparar duas propostas pelo que elas vão cobrar de verdade. Os valores são exemplo e servem para mostrar a mecânica.

O que uma cotação precisa dizer

Uma cotação completa responde seis perguntas. Quando uma delas fica sem resposta, a fatura responde por ela, e quase sempre para cima.

A primeira é a que mais distorce a comparação. As outras cinco somam valores menores, mas se acumulam no mesmo envio.

A cotação mais barata que virou a mais cara

O exemplo usa a air fryer do guia sobre como calcular frete: R$ 299,00 de nota, caixa de 32 × 32 × 36 cm, 4,5 kg na balança, destino numa praça média. Duas transportadoras cotaram o mesmo envio.

A cotação A saiu por R$ 44,00, calculada com o peso da balança e sem seguro nem taxas. A cotação B saiu por R$ 55,00, com o peso cubado já considerado, o seguro e as taxas dentro.

Cotação A Cotação B
Valor na tela R$ 44,00 R$ 55,00
Peso usado na cotação 4,50 kg, da balança 11,06 kg, cubado
Seguro e taxas fora dentro
Valor na fatura R$ 58,35 R$ 55,00

A fatura da A veio com o peso cubado de 11,06 kg, que joga o envio na faixa de 10,1 a 15 kg, mais o ad valorem de R$ 1,35 e R$ 5,00 de taxas fixas. São os mesmos R$ 58,35 da praça média no guia sobre como calcular frete.

A cotação mais barata terminou R$ 3,35 mais cara que a outra, e R$ 14,35 acima do que foi mostrado na tela. Em 300 envios por mês, a escolha pela tela custaria R$ 1.005,00 a mais do que a escolha pela fatura.

Por que o peso muda tanto a comparação

A cotação só é tão boa quanto o peso que entra nela. A transportadora cobra pelo maior entre o peso real e o peso cubado, e o fator de cubagem muda de contrato para contrato, como mostra o guia sobre peso cubado.

Quando a cotação é feita com o peso cadastrado, e o cadastro traz só o peso da balança, qualquer caixa volumosa sai cotada abaixo do que vai ser cobrado. A diferença aparece depois, na aferição da transportadora.

Duas cotações só são comparáveis quando usam o mesmo peso cobrado. Antes de comparar valores, confira se as duas partiram do mesmo número, e a conferência leva um minuto.

Quando a comparação muda de lado

A inversão do exemplo depende do perfil da caixa. Num produto pequeno e pesado, como uma caixa de 20 × 15 × 10 cm com 3 kg dentro, o peso cubado fica abaixo do real nas duas regras, e as duas cotações usam o mesmo peso da balança.

Nesse caso, a cotação A deixa de errar no peso, e a diferença entre as duas passa a ser só o seguro e as taxas. Se elas somarem menos que a distância entre os valores da tela, a A continua sendo a mais barata.

A conclusão prática é que a escolha de transportadora é por perfil de caixa, e não por loja. A mesma transportadora pode ser a melhor para o item denso e a pior para o volumoso, e uma regra única para o catálogo inteiro erra em metade dele.

Cotação por plataforma e cotação direta

Existem dois caminhos para cotar, e cada um traz uma armadilha própria. Nenhum dos dois dispensa a conferência.

A escolha entre os dois caminhos é de custo contra tempo, e o guia sobre como calcular frete trata dela. Aqui, o ponto é outro: qualquer que seja o caminho, a cotação precisa ser lida pelo que vai cobrar.

O que o prazo esconde

O prazo parece o dado mais simples da cotação, e é o que mais gera reclamação de cliente. Dois prazos iguais no papel podem ser muito diferentes na entrega.

Cinco dias úteis contados da coleta, com coleta dois dias depois do pedido, são sete dias úteis para o cliente. Cinco dias corridos contados da emissão da nota, numa semana com feriado, podem ser menos que isso.

O redespacho também mexe no prazo. Cidade atendida por parceiro de outra transportadora costuma ganhar dias a mais, e nem toda cotação avisa que o destino não é atendido direto.

Como comparar duas cotações

A comparação honesta tem quatro passos, e cabe numa linha de planilha por transportadora. O objetivo é chegar ao valor que a fatura vai trazer.

Feita essa conta, a comparação passa a ser entre faturas, e não entre telas. Às vezes a mais barata continua sendo a mais barata, e às vezes a ordem inverte.

O número que sai daí é o que vai para a conta de margem de cada pedido. Frete estimado pela tela é custo subestimado, e o efeito aparece direto no guia sobre quanto o frete representa no custo do produto.

Onde a cotação costuma errar

Os erros mais comuns se repetem em quase toda operação. Nenhum deles é culpa da transportadora.

O primeiro passo

Separe as cinco últimas faturas de frete que você pagou e, para cada envio, procure o valor que foi cotado na época. A plataforma ou o sistema de pedidos costuma guardar essa informação.

Compare envio por envio o que foi cotado com o que foi cobrado. Se a fatura vier sempre acima, a diferença média é o quanto a sua cotação está errando, e quase sempre o motivo está no peso.

Depois corrija o cadastro das caixas que mais divergem, com peso e medidas da caixa pronta. A próxima cotação passa a comparar o que vai ser cobrado, e a margem real de cada pedido passa a partir de um frete que existe.

Falar no WhatsApp Como funciona

Quando alguma dessas contas muda, sai no Observatório: tributação, frete, pagamentos e canais de venda, com o efeito no custo de cada pedido.