Equipe Truesail · Atualizado em
O frete é o custo mais instável de um pedido. O produto custa o mesmo hoje e amanhã, a comissão do canal é um percentual conhecido e o imposto sai da alíquota do regime. O frete muda por destino, por peso, por dimensão da caixa, por faixa de tabela e por transportadora.
É o único custo que pode dobrar entre dois pedidos do mesmo item, e também o mais fácil de subestimar. Quase ninguém olha a tabela antes de vender, e a conta aparece depois, quando a fatura da transportadora chega.
Este guia mostra como o custo do frete se forma, por que o peso da balança quase nunca é o peso cobrado, e como descobrir até onde o frete grátis ainda deixa lucro. Os valores são exemplo e servem para mostrar a mecânica.
Uma tabela de frete tem uma matriz de preços, e não um preço. Cinco variáveis se combinam em cada envio.
Uma tabela negociada real tem dezenas de linhas, e o preço final de um envio é a combinação de todas essas variáveis. Por isso "quanto custa mandar para São Paulo" não tem resposta única.
Esta é a parte que mais gente ignora, e a que mais estraga a conta. A transportadora vende espaço no caminhão, além de peso, e um caminhão lota de volume muito antes de lotar de peso quando a carga é leve e volumosa, então a cobrança considera os dois e usa o maior.
Nem toda tabela aplica cubagem. Algumas operações trabalham só por peso real e por quantidade de volumes, e a conferência é olhar se a sua tabela traz um fator de cubagem: se traz, ele se aplica, e se não traz, vale o peso da balança.
O cálculo é simples. Multiplique comprimento, largura e altura da caixa em metros para obter o volume em metros cúbicos, e multiplique o resultado por um fator de cubagem definido pela transportadora, que no rodoviário fracionado brasileiro costuma ficar em torno de 300.
O exemplo usa o mesmo produto do guia sobre margem real, uma air fryer de 4 litros que pesa 4,5 kg na balança. A caixa dela mede 32 × 32 × 36 cm.
| Item | Valor |
|---|---|
| Caixa | 32 × 32 × 36 cm |
| Volume | 0,0369 m³ |
| Fator de cubagem | 300 |
| Peso cubado | 11,06 kg |
A transportadora cobra o maior entre o peso real e o cubado, e este pedido paga como 11 kg, e não como 4,5 kg. É mais que o dobro do peso da balança.
O efeito se soma ao das faixas. Na balança, 4,5 kg cairia na faixa de até 5 kg, e cobrado como 11 kg cai na faixa de 10,1 a 15 kg, pulando duas faixas inteiras sem o produto ter engordado.
Produto leve e volumoso é onde isso dói mais, como eletroportáteis, decoração, brinquedo, colchão e luminária. Se o seu cadastro tem só o peso da balança, o custo de frete que você calcula está errado para baixo em todos eles. O guia sobre peso cubado mostra como o fator muda de um contrato para outro.
São duas contas diferentes, e confundi-las é o segundo erro mais comum. Uma é custo, e a outra é decisão comercial.
A diferença entre os dois é resultado, e ela pode ser positiva. Quem cobra R$ 30,00 de frete num envio que custa R$ 24,00 está ganhando R$ 6,00 no pedido, e isso é legítimo.
O problema é decidir o que cobrar sem saber o que se paga. Frete grátis é decisão comercial legítima, e frete grátis sem conta é aposta.
Duas ressalvas mudam a leitura dos números, e vêm antes deles. A primeira é que praça é sempre relativa à origem: a mesma cidade é praça próxima para uma loja e praça distante para outra, e por isso a tabela abaixo não nomeia cidades.
A segunda é que os valores são fictícios, feitos para mostrar a estrutura da conta, e não para servir de referência de mercado. Preço por faixa, ad valorem e taxas fixas mudam por transportadora, por origem, por volume contratado e por época do ano, e a sua tabela é a única que vale para a sua operação.
O produto do exemplo é vendido por R$ 299,00 e cobrado como 11 kg. A tabela mostra o custo do mesmo envio para quatro praças.
| Praça de destino | Faixa 10,1–15 kg | Ad valorem (0,45%) | Taxas fixas | Custo do envio |
|---|---|---|---|---|
| Mesma praça da origem | R$ 31,00 | R$ 1,35 | R$ 5,00 | R$ 37,35 |
| Praça próxima | R$ 39,00 | R$ 1,35 | R$ 5,00 | R$ 45,35 |
| Praça média | R$ 52,00 | R$ 1,35 | R$ 5,00 | R$ 58,35 |
| Praça distante | R$ 88,00 | R$ 1,35 | R$ 5,00 | R$ 94,35 |
O envio mais caro custa duas vezes e meia o mais barato. É o mesmo produto, na mesma caixa, com o mesmo preço na vitrine.
Aqui este guia encontra o de margem real. Naquele guia, o pedido de R$ 299,00 deixa R$ 32,76 depois de mercadoria, embalagem, comissão do canal, tarifa e imposto, e esse é o teto de tudo o que existe para pagar o frete.
| Praça de destino | Custo do envio | Sobra com frete grátis |
|---|---|---|
| Mesma praça da origem | R$ 37,35 | −R$ 4,59 |
| Praça próxima | R$ 45,35 | −R$ 12,59 |
| Praça média | R$ 58,35 | −R$ 25,59 |
| Praça distante | R$ 94,35 | −R$ 61,59 |
Nenhuma praça se paga, nem a mais próxima. Com outra tabela, ou com origem mais perto dos grandes centros, a primeira linha poderia fechar positiva, e é por isso que a conta precisa ser feita com os seus números.
O resultado não diz que o produto é ruim nem que frete grátis não serve. Ele diz que frete grátis irrestrito neste produto, neste preço e nesta tabela, não fecha em lugar nenhum, e quem não faz a conta descobre isso no fechamento do mês, com o prejuízo multiplicado pelo número de pedidos.
Daqui sai a decisão que só a empresa pode tomar. Frete grátis é ferramenta comercial, aumenta a conversão, ajuda a competir em marketplace e viabiliza um lançamento, e absorver parte do custo pode compensar, como muita operação faz de propósito.
O que muda é saber quanto se está absorvendo. Uma empresa com margem folgada no produto tem espaço para conceder, e outra, com o CMV apertado, não tem.
O limite também se mede na operação inteira. Absorver R$ 10,00 em cem pedidos são R$ 1.000,00 no mês, que precisam sair de algum lugar, e frete grátis calculado é investimento, enquanto o sem conta é prejuízo com outro nome.
As saídas são conhecidas, e todas dependem de conhecer o número antes. Cada uma resolve uma parte do problema.
A última é a mais subestimada. No exemplo, reduzir a caixa de 36 cm para 28 cm de altura leva o peso cubado de 11,06 kg para 8,60 kg. A mudança troca a faixa de tabela e derruba o custo do envio em todos os destinos de uma vez.
As duas formas convivem, e cada uma resolve um problema diferente. A escolha entre elas é de custo contra tempo.
O preço da plataforma é o custo por envio, que costuma ser mais alto que o de uma tabela negociada, porque há um intermediário na conta. Uma diferença de R$ 10,00 por pedido parece pequena, e em 300 pedidos por mês são R$ 3.000,00, ou R$ 36.000,00 num ano.
A resposta depende da conta de cada operação. Ela compara quanto você paga hoje por envio, quanto pagaria na outra forma e quanto vale o seu tempo de gestão na diferença, e muita operação usa as duas, com tabela negociada nas rotas de volume e plataforma no resto. Como comparar duas propostas pelo valor da fatura está no guia sobre cotação de frete.
Saber o custo do frete no momento da venda transforma perguntas em decisões. Dá para saber até que praça oferecer frete grátis num produto, qual transportadora sai mais barata para um destino e se o desconto pedido ainda deixa margem depois do envio.
Também dá para decidir se compensa reduzir a embalagem de uma linha inteira, e ver quanto o frete pesa em cada item do catálogo, que o guia sobre quanto o frete representa no custo do produto mede produto a produto. Nenhuma dessas perguntas é respondida pela fatura da transportadora, porque ela chega depois.
O primeiro passo não depende de software. Pegue os cinco produtos que mais vendem, meça as caixas, calcule o peso cubado de cada um e compare com o peso cadastrado. Depois abra a tabela da sua transportadora para ver em que faixa cada produto cai de verdade.
Se algum deles estiver cadastrado com metade do peso que a transportadora cobra, você acabou de encontrar um custo que não estava em conta nenhuma. O frete dele vinha sendo calculado para uma caixa que não existe.
Pela tabela da transportadora, que combina a praça de destino, a faixa de peso, o ad valorem sobre o valor da nota e as taxas que cada tabela acrescenta. Por isso o mesmo produto tem um frete diferente para cada destino e cada transportadora.
É um percentual sobre o valor da mercadoria na nota, normalmente entre 0,3% e 0,6%, que cobre o seguro da carga. Ele some da conta de quem calcula o frete só pelo peso, porque não aparece na tabela de faixas.
É a região de atendimento em que a transportadora divide o país, cada uma com o seu preço. Praça é diferente de estado, porque a capital e o interior costumam ter valores diferentes, e cidades fora da malha principal entram como redespacho.
Depende de quanto sobra do pedido antes do frete. No exemplo deste guia, um pedido de R$ 299,00 deixa R$ 32,76 para pagar o envio, e nenhuma praça cabe nesse valor, então o frete grátis irrestrito daria prejuízo em todas.
A plataforma de envio entrega agilidade, sem contrato nem volume mínimo, e serve a quem está começando ou tem volume baixo. A tabela negociada entrega custo menor por envio, em troca do trabalho de manter contrato, acompanhar reajuste e conferir a fatura.
No Truesail, o frete de cada pedido é cotado em todas as transportadoras cadastradas assim que a venda entra, pela tabela de cada uma. A mais barata para aquele destino aparece primeiro, já dentro da conta de quanto sobra.
Antes de oferecer frete grátis, a simulação de pedido mostra o efeito na margem. O frete por região explica por que o preço muda tanto de um CEP para outro. O Diagnóstico gratuito mostra quanto o frete pesa na margem da sua operação, com os seus números.
Quando alguma dessas contas muda, sai no Observatório: tributação, frete, pagamentos e canais de venda, com o efeito no custo de cada pedido.