Toda decisão comercial é tomada antes de o resultado aparecer. Você aprova o desconto antes de conferir o que ele consome, escolhe a transportadora antes de comparar, e anuncia o preço antes de saber quanto sobra. Depois o mês fecha e conta o que aconteceu, quando não há mais nada a fazer sobre aqueles pedidos.
Elas parecem a mesma pergunta, mas são dois momentos distintos, com urgências distintas.
A primeira, e de longe a mais frequente, é se vale conceder. O pedido já existe, o cliente pediu dez por cento, o vendedor quer fechar hoje, e a pergunta é se esses dez por cento cabem. Aqui o pedido é real e específico, com aquele CEP, aquele peso e aquela forma de pagamento.
A segunda é quanto cobrar. O produto ainda não está anunciado, ou está e você desconfia do preço, e você quer ver o que sobra num pedido típico antes de publicar o número.
O que as duas têm em comum é o tempo verbal, porque as duas acontecem antes do compromisso, e é isso que a simulação existe para atender. Depois que o desconto foi concedido e a nota saiu, a conta vira diagnóstico, que é assunto de outra página, a de margem antes de faturar.
O pedido nasce onde ele sempre nasceu, no seu sistema de gestão, e não precisa nascer aqui. Foi assim que o vendedor lançou, foi assim que o cliente comprou na loja, e é assim que ele fica.
Para simular, você informa o número dele. A busca tem dois passos e isso poupa espera. Primeiro o pedido é procurado entre os que o Truesail já conhece, e se ele ainda não estiver lá, é buscado direto no sistema de gestão e importado na hora.
Na prática, um pedido lançado agora já pode ser simulado agora. O vendedor cria no sistema de gestão, digita o número aqui, e o pedido aparece com os itens e o meio de pagamento preenchidos. Não há sincronização agendada para esperar.
A partir daí ele se comporta como se tivesse sido digitado, e você mexe no que quiser para ver o efeito.
O desconto: em porcentagem ou em reais, porque na prática o vendedor negocia dos dois jeitos e nem sempre fecha em número redondo.
O preço de venda de cada item: o desconto geral é uma forma de baixar o preço, e negociar item a item é outra, comum quando o cliente quer condição só no produto principal.
O frete cobrado do cliente: aqui entra o cenário de absorver o envio no lugar do desconto, que costuma custar menos e agradar mais.
O custo de frete da empresa: para testar um valor fechado que você negociou fora da tabela.
A modalidade e o meio de pagamento: à vista ou a prazo muda a taxa que o meio de pagamento cobra sobre o total da nota, e essa diferença some quando a conta é feita de cabeça.
A embalagem: entra ou fica de fora do cálculo, para você ver quanto ela pesa isolada num pedido que já está no limite.
A transportadora: trocável a qualquer momento, com recálculo na hora.
Nada disso toca o pedido de verdade. A simulação não cria pedido, não altera pedido e não emite nada. Ela calcula e mostra, e o pedido segue exatamente como estava no sistema de gestão, porque emitir e alterar é trabalho dele e não desta camada.
O que fica guardado é o registro de que a simulação aconteceu, com as entradas, o resultado, a transportadora escolhida e quanto tempo levou. Isso não serve para o cálculo, serve para a equipe. Quando alguém pergunta com que número aquele desconto foi aprovado, a resposta existe.
A tela devolve o pedido decomposto, com a margem de contribuição, o valor em reais que entra no caixa, o impacto daquele pedido dentro do mês e a divisão do custo entre frete, embalagem e produto. A composição é a mesma que o cálculo automático entrega, e a página de margem antes de faturar explica o que cada parte significa.
O que muda aqui é o uso que você faz dela. No cálculo automático a composição explica um pedido que já chegou. Na simulação ela é o ponto de partida da próxima pergunta, porque você vai mexer em alguma coisa e olhar o mesmo quadro de novo.
Dois números merecem atenção especial nesse contexto. O valor em reais costuma surpreender quem olha só o percentual, porque uma margem de vinte por cento num pedido pequeno deixa pouco dinheiro, e vinte por cento num pedido grande paga o dia. E o impacto no mês existe justamente porque pedido apertado isolado é uma coisa, e pedido apertado que se repete trinta vezes é outra. Confundir margem com markup embaralha ainda mais essa leitura, e o guia de markup e margem separa as duas.
Dentro do bloco de frete aparece o seletor de transportadora, e ele só existe depois do primeiro cálculo, porque antes disso não há o que comparar. Trocar a transportadora recalcula tudo na hora, sem refazer o pedido.
Com o resultado na tela, um painel à parte deixa você mudar uma variável de cada vez e ver o efeito imediatamente, sem montar o pedido outra vez.
Troque a transportadora. Baixe o preço. Passe de à vista para a prazo. Suba o custo unitário, porque o fornecedor avisou reajuste. Mude a quantidade, porque o cliente perguntou se leva três sai mais barato.
Cada mudança recalcula sobre o resultado que já está na tela, então você compara cenários lado a lado em vez de começar do zero a cada pergunta. É a diferença entre discutir desconto por instinto e discutir desconto com o número na frente.
O caso mais comum é o mais simples de todos. O cliente pede dez por cento, você aplica, e a margem cai para um valor que ou cabe ou não cabe. Quando não cabe, a conversa deixa de ser sim ou não e passa a ser o que dá para oferecer no lugar, como frete, prazo ou uma quantidade maior pelo mesmo desconto.
E existe o caso menos óbvio, que é o desconto que cabe e que ninguém dá por medo. Vendedor sem número na mão tende a recusar por precaução, e recusar o que caberia custa venda. O painel serve tanto para segurar quanto para liberar.
O padrão é automático, que traz a mais barata para aquele destino e aquele peso. Se você escolher outra, a sua escolha chega intacta ao cálculo.
Isso parece detalhe e não é. Um sistema que rebaixa a escolha do operador para o padrão em silêncio, por tratar a opção como inválida, produz um número que não corresponde ao que você mandou fazer, e a descoberta vem pela fatura semanas depois. Quem decide se uma transportadora atende aquele destino é o motor de frete, que avisa quando volta para o automático em vez de trocar sem falar nada.
A retirada no balcão funciona pelo mesmo caminho. Você escolhe a transportadora de retirada no seletor, e o frete zerado com a dispensa do CEP vem por consequência, sem campo separado para isso.
O segundo uso é montar do zero, e ele serve à pergunta de preço.
Você escolhe os produtos pelo nome, informa a quantidade, e o cadastro entrega o custo e o peso. Depois preenche o CEP de destino, que define a praça de cada transportadora e a faixa de preço de cada uma, do jeito que a página de frete por região descreve. Os demais campos seguem iguais aos de um pedido importado.
A palavra típico está aí de propósito. Preço de catálogo é um número só para um universo de pedidos que variam, então a simulação de precificação serve para achar o piso. Se o pedido médio, para o destino mais comum, já fecha apertado, o preço não se sustenta. Metade dos pedidos será pior que a média.
Kit segue um caminho próprio. O código da linha aponta para a caixa e não para o que está dentro dela, então o custo e o peso do conjunto são resolvidos antes de o kit ser aberto. Quem monta combos percebe a diferença, porque o kit entra como uma unidade e não como a soma dos itens digitados um a um.
Uma restrição importante nesse modo. Custo e peso vêm do cadastro e não são digitáveis, e isso é de propósito. Simular com um custo que você imaginou produz um resultado com aparência de exato que não descreve nada, e o risco não é errar, é acreditar. Se o custo está errado, o lugar de corrigir é o cadastro, onde a correção passa a valer para todos os pedidos e não só para essa simulação. Vale a mesma observação da conta manual que o guia de margem real ensina: o resultado é tão bom quanto a pior das entradas.
Ela usa as mesmas tabelas e os mesmos cadastros do cálculo automático. O custo sai do cadastro de produtos, o frete sai das tabelas das transportadoras, a comissão e a taxa saem da configuração, o imposto sai do regime.
A diferença está no gatilho: o cálculo automático dispara sozinho quando o pedido chega e responde sobre o que já está lá, enquanto a simulação dispara quando você pergunta e responde sobre o que ainda não decidiu.
A tela fica no menu e também é alcançável a partir do painel, da lista de pedidos e das telas de análise. Nesses casos ela abre com o pedido já carregado, porque na prática a pergunta nasce olhando um pedido específico.
O custo do cadastro continua sendo a entrada mais importante, e não tem como ser diferente. Simular com um custo desatualizado devolve um resultado desatualizado com aparência de exato, e essa é a forma mais perigosa de estar errado, porque ela não parece erro nenhum.
O peso e a dimensão do produto também, porque eles decidem a faixa de preço da transportadora, e um peso genérico no cadastro erra o frete de todos os cenários ao mesmo tempo.
E o julgamento continua sendo seu. A simulação diz quanto sobra, e não diz se vale. Um pedido de margem apertada pode compensar por ser um cliente novo, por escoar estoque parado ou por completar uma carga que já vai sair de qualquer jeito. O número entra na conversa sem encerrá-la.
Pegue o último pedido em que você concedeu desconto e veja de quanto ele foi.
Agora refaça a conta à mão, com o custo dos produtos, o frete até aquele destino, a comissão do canal, a taxa do meio de pagamento, o imposto e a embalagem. Aplique o desconto no fim e veja o que sobrou.
Se o número surpreender, ele surpreendeu tarde. A pergunta que importa é outra: você teria concedido o mesmo desconto sabendo disso antes de dizer sim?
O Truesail existe para responder essa pergunta no momento em que ela ainda muda alguma coisa.
O pedido continua nascendo no seu sistema de gestão, do jeito que já nasce hoje. O que muda é que, antes de responder ao cliente, você digita o número dele, mexe no preço, no desconto, na transportadora, na modalidade ou na quantidade, e vê a margem se mover a cada mudança. Tudo com os seus custos, as suas tabelas de frete, as suas taxas e o seu regime tributário, e não com uma média de mercado.
Ele não emite nota, não cria pedido e não mexe no seu estoque. Isso é trabalho do seu sistema de gestão, que faz bem. O Truesail faz a parte que sobra, que é decidir com número em vez de decidir com estimativa.
E como ele usa a mesma base do cálculo que roda em todo pedido que entra, o que você simula hoje é a mesma conta que vai valer amanhã, quando aquele pedido chegar de verdade. Não são dois números diferentes para o mesmo pedido.
Quatro perguntas para terminar, e vale responder de cabeça:
A conta que responde essas quatro é a mesma, e ela já existe. Quantas vezes você aprovou um desconto este mês sem saber o que ele deixava para trás?