O varejo brasileiro vendeu 2% menos em agosto de 2026 do que em agosto de 2025, já descontada a inflação. É o 15º mês seguido de queda real no Índice Cielo do Varejo Ampliado e o pior agosto desde 2020, segundo a Cielo, que divulgou o índice em 14 de setembro.
O número que pesa na operação está na diferença entre canais. O e-commerce avançou 5,1% em termos nominais no mês. O varejo físico subiu 1,2%, também nominal. A Cielo não publica a variação real por canal.
Quais setores puxaram a queda
Os três macrossetores do índice recuaram em termos reais.
- Bens duráveis e semiduráveis: -4,6% real, -1,6% nominal
- Serviços: -3,7% real, +4,4% nominal
- Bens não duráveis: -0,4% real, +2,6% nominal
Em duráveis e semiduráveis, vestuário, artigos esportivos e materiais para construção estão entre os segmentos que mais puxaram a queda. Em não duráveis, o grupo mais perto da estabilidade, drogarias e farmácias se destacaram positivamente.
Onde a queda foi maior
As cinco regiões ficaram negativas em termos reais. O Norte ficou praticamente estável: -0,0%, na grafia da Cielo. O Centro-Oeste teve a maior retração, -3,7%. Entre os dois extremos ficaram Sul (-1,1%), Nordeste (-1,9%) e Sudeste (-2,9%).
Por estado, o Amapá teve a maior alta real (+4,6%) e Pernambuco a maior queda (-4,9%). Para quem vende em mais de uma região, a média nacional esconde essa dispersão.
Como o índice é calculado
A Cielo apura 18 setores e trabalha sobre as vendas capturadas nos terminais. O cálculo remove o efeito da mudança de participação da Cielo no mercado de cartões, o efeito de troca de meio de pagamento e o da adoção do Pix. O objetivo declarado é isolar a variação de consumo no ponto de venda.
A versão real desconta a inflação. A nominal, não. Serviços é o caso em que a diferença entre as duas leituras é maior: +4,4% nominal contra -3,7% real, ou seja, o faturamento subiu e o volume caiu.
Para quem vende produto físico, o efeito prático aparece no giro de estoque. Compra feita com a expectativa de repetir o volume de 2025 corre risco de sobrar, e a queda de agosto se soma a uma sequência de 15 meses. Quem trabalha com bens duráveis tem o recuo mais fundo da base e o ciclo de reposição mais longo, então o ajuste demora mais para aparecer no caixa.
A conferência que cabe a cada empresa é comparar a própria curva com a do macrossetor e a da região onde vende. O índice mede o agregado do ponto de venda, não a carteira de ninguém.
O ICVA mede vendas. Fluxo de visitantes em loja física é outro indicador, com outra fonte, e não deve ser somado a este.