Quem vende em loja de rua recebeu menos gente em agosto de 2026. O recuo foi de 1,7% em relação a agosto de 2025, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo, medido pela Seed Digital. No agregado nacional, somando rua e shopping, a queda foi de 1,5%.
Segundo a Seed, crédito mais caro e renda mais comprometida limitaram o movimento, sobretudo nas compras de maior valor.
O shopping center segurou melhor: -0,4% no mês. Em julho, o formato tinha caído 5,1%, então agosto representa desaceleração da queda. As lojas de rua vieram de -0,3% em julho e pioraram.
Onde o movimento subiu e onde caiu
A diferença entre regiões é maior do que a média nacional sugere.
- Sul: +8,4%
- Centro-Oeste: +1,3%
- Norte: +0,1%
- Sudeste: -4,3%
- Nordeste: -4,8%
São 13,2 pontos percentuais entre a ponta e a base. Para uma rede com lojas em mais de uma região, a média nacional de -1,5% não descreve nenhuma das praças.
Na semana do Dia dos Pais, uma das principais datas comerciais do segundo semestre, o fluxo caiu 0,3%.
Como o número é apurado
O índice mede visitantes que entram em loja física, não vendas. A Seed Digital acompanha cerca de 58 milhões de visitantes por mês em milhares de lojas espalhadas pelo país e compara cada mês com o mesmo mês do ano anterior.
O número é medido pela própria empresa sobre a base de lojas que ela monitora. Não há como um terceiro reproduzi-lo, e até 16 de setembro de 2026 a Seed não tinha publicado a edição de agosto na página onde divulga o índice mês a mês. A mais recente ali é a de julho.
Fluxo e venda não andam juntos por padrão. Uma loja pode receber menos gente e faturar o mesmo, se a taxa de conversão ou o tíquete subirem. O que o índice entrega é a primeira ponta do funil. Vendas são outro indicador, com outra fonte, e não devem ser somadas a este.
Quem toca rede física tem duas contas a fazer no próprio caso. A primeira é comparar a variação de fluxo das próprias lojas com a da região onde elas estão, para saber se o problema é de mercado ou de ponto. A segunda é olhar o formato: rua e shopping se moveram em direções diferentes em julho e agosto, e uma rede com os dois formatos está vendo dois mercados ao mesmo tempo.
Sem reação, o efeito aparece no giro. Nas lojas de rua, agosto foi o quarto mês seguido de queda, o que reduz a base de reposição, e a compra feita em setembro para o quarto trimestre é dimensionada sobre esse número.