O varejo brasileiro vendeu 2% menos em agosto de 2026 do que em agosto de 2025, já descontada a inflação. É o 15º mês seguido de queda real no Índice Cielo do Varejo Ampliado e o pior agosto desde 2020. Em valores correntes, sem desconto de inflação, o varejo subiu 2,1%.
A distância entre os canais foi de 3,9 pontos percentuais: o e-commerce cresceu 5,1% em valores correntes e as lojas físicas, 1,2%. O online segue crescendo mais, mas perdeu ritmo. Em julho, pela apuração da própria Cielo, o e-commerce havia subido 9,7% e a loja física, 1,3%, na mesma base nominal.
Onde a queda foi maior
Os três macrossetores do índice em agosto, comparados com agosto de 2025:
- Bens duráveis e semiduráveis: queda real de 4,6% e queda nominal de 1,6%
- Serviços: queda real de 3,7% e alta nominal de 4,4%
- Bens não duráveis: queda real de 0,4% e alta nominal de 2,6%
Duráveis e semiduráveis foi o único a cair também em valores correntes. É o bloco que reúne eletrodoméstico, eletrônico, móvel, vestuário e calçado.
Como ficou por região
Em base real, na comparação com agosto de 2025:
- Norte: estável, 0,0%
- Sul: queda de 1,1%
- Nordeste: queda de 1,9%
- Sudeste: queda de 2,9%
- Centro-Oeste: queda de 3,7%
O que o número diz sobre a sua operação
Quem vende eletrodoméstico, eletrônico, móvel, vestuário ou calçado está no bloco que encolheu 1,6% em reais correntes. Queda nominal é receita que não entrou no caixa, não apenas margem corroída pela inflação. Quem vende alimento, bebida, higiene e limpeza faturou 2,6% a mais em valores correntes e ainda assim perdeu para a inflação do período.
O índice é apurado pela Cielo sobre a base de transações da própria empresa, em 18 setores, do pequeno lojista ao grande varejista, comparando cada mês com o mesmo mês do ano anterior. O resultado real sai de um deflator baseado no IPCA ajustado ao mix e aos pesos dos setores do índice. Até 12 de setembro de 2026, a Cielo não havia publicado o relatório de agosto no blog do índice, na sala de imprensa nem no canal de relações com investidores.
Duas contas dependem do caso de cada empresa. Se o seu faturamento online de agosto cresceu menos de 5,1% em valores correntes, sua loja perdeu participação dentro do canal que mais cresce. E se o crescimento nominal ficou abaixo da inflação do período, o número de itens que saíram do estoque caiu, mesmo com receita maior no relatório.