O comércio varejista brasileiro faturou 7,0% a mais em junho de 2026 do que em junho de 2025. No mesmo mês, vendeu 2,9% a mais. Os dois números estão na mesma divulgação do IBGE, em tabelas vizinhas, e não se contradizem: medem coisas diferentes.

A Pesquisa Mensal de Comércio publica duas séries para cada atividade. Receita nominal é o dinheiro que entrou. Volume de vendas é a mesma receita depois que o IBGE desconta a inflação, usando subitens do IPCA como deflatores. A distância entre as duas é preço — e em junho ela foi de 4,1 pontos percentuais.

O posto que vendeu o mesmo e faturou 12% a mais

A atividade onde isso fica mais visível é combustíveis e lubrificantes. Frente a junho de 2025, a receita nominal subiu 12,0%. O volume subiu 1,5%.

Um posto que comparou o faturamento de junho com o do ano anterior viu crescimento de dois dígitos. Litro por litro, vendeu praticamente o mesmo. Os outros dez pontos e meio vieram do preço da bomba, que não é decisão dele e não fica no caixa dele: entra e sai como custo de reposição.

O padrão se repete no varejo inteiro, com intensidade menor. No acumulado do ano, o comércio varejista soma 4,7% de receita nominal contra 1,9% de volume. Em doze meses, 4,9% contra 1,6%.

Qual das duas linhas é a sua

Quem acompanha o próprio faturamento mês a mês está lendo uma série nominal — o número do extrato bancário não é deflacionado. Comparar essa curva com o volume da PMC é comparar duas medidas diferentes, e a conclusão sai errada nos dois sentidos: parece perda de mercado onde não houve, ou o contrário.

A comparação que fecha é receita nominal contra receita nominal. Depois dela vem a subtração: faturamento que cresceu 6% enquanto a receita nominal da atividade cresceu 7% ficou abaixo do setor, mesmo parecendo bom no valor absoluto.

Há um segundo efeito, e ele aparece na margem. Faturamento nominal maior com volume estável significa o mesmo tanto de mercadoria girando a preço mais alto. Custo que é percentual sobre o valor da nota — comissão, taxa de pagamento, ad valorem do frete — sobe junto. Custo que é por pedido — embalagem, separação, taxa fixa de envio — não sobe. As duas famílias de custo reagem de formas opostas ao mesmo movimento, e a diferença entre elas é o que decide se o faturamento maior chegou embaixo.

Nenhuma das duas séries diz quanto uma empresa específica faturou. A PMC mede empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas e não separa o comércio eletrônico do varejo físico. Ela descreve o setor, não o leitor — e é justamente por isso que a comparação precisa ser feita na mesma unidade.