O volume vendido nos supermercados brasileiros cresceu 3,28% em julho de 2026 sobre julho de 2025. Contra junho, a alta foi de 3,01%. Os números são do indicador Consumo nos Lares Brasileiros, que a Abras divulgou em 27 de agosto. O índice mede volume, é deflacionado pelo IPCA e considera todos os formatos de autosserviço.

No acumulado de janeiro a julho, a alta é de 2,67%. No mesmo período de 2025 havia sido de 2,66%. Quem abastece supermercado está diante de um par específico: mais caixa saindo pela porta e preço médio de cesta em queda.

A cesta de 35 produtos caiu a R$ 841,95

O indicador Abrasmercado, que acompanha uma cesta de 35 produtos de largo consumo, recuou 1,24% em julho. O valor médio nacional passou de R$ 852,54 em junho para R$ 841,95. No acumulado do ano, a cesta ainda sobe 5,20%.

A queda de julho apareceu nas cinco regiões:

No acumulado de janeiro a julho, a cebola tem a maior alta da cesta, de 65,20%, e o açúcar refinado a maior queda, de 13,82%.

O alívio de preço vem da alimentação. No IPCA de julho, o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,67% e a alimentação no domicílio recuou 1,14%. "A queda dos preços da alimentação no domicílio reduziu a pressão sobre o orçamento", disse Marcio Milan, vice-presidente da Abras.

O comprador continua na faixa barata

A Abras divulgou também a composição da cesta de compras por faixa de preço, com dados NielsenIQ. Entre julho de 2025 e julho de 2026, os produtos da faixa de menor preço passaram de 54,6% para 55,3% do que vai no carrinho. A faixa de maior preço subiu de 12,5% para 13,4%. Quem perdeu espaço foi o meio: de 32,9% para 31,3%.

O que isso cobra de quem entrega

O efeito não é o mesmo em toda a cadeia. Indústria de alimentos, distribuidor e atacadista movimentam mais unidade por pedido com preço unitário menor. Transportadora e operador logístico contratados por percentual do valor da nota faturam menos por palete carregado, porque o palete não encolheu junto com o preço. Quem cobra por peso, volume ou entrega vai no sentido oposto.

Ninguém precisa fazer nada para que esse descolamento aconteça. Ele já está no fechamento de julho. O que cabe conferir no próprio caso é a base de cálculo do contrato de frete, se o custo por entrega está apurado por rota e não só como percentual da receita, e se a curva de produto acompanha a migração da faixa intermediária para a faixa de menor preço, que perdeu 1,6 ponto percentual em doze meses.

O item de hortifruti merece conferência separada. Com a cebola em alta de 65,20% no ano e o açúcar refinado em queda de 13,82%, cesta e preço de reposição andam em direções diferentes dentro do mesmo pedido.