Dois varejistas de Ciudad del Este passaram a vender pela internet para qualquer endereço do Brasil, com entrega dos Correios. São a Cellshop e a New Zone Importados. A estatal divulgou a operação em 17 de agosto de 2026, sob o nome de Correios Packet.
O serviço é feito por transporte terrestre e aceita encomendas de até 30 kg. Tem rastreamento completo. O prazo de entrega segue o das encomendas nacionais a partir da saída do Centro Internacional dos Correios no Brasil, ou seja, o tempo de despacho aduaneiro fica fora dessa contagem. Quem vende eletrônico, perfumaria ou acessório importado passa a disputar preço com uma vitrine paraguaia que chega na casa do comprador sem que ele atravesse a fronteira.
Quanto o comprador paga de imposto
As duas lojas são homologadas no Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, o que as habilita a vender para o mercado brasileiro. No regime, os tributos são cobrados no ato da compra, dentro do site, e não na chegada da encomenda.
Pelas regras da Receita para sites certificados, a compra de até US$ 50 tem Imposto de Importação de 0% e paga apenas o ICMS, de 17% a 20% conforme o estado do comprador. Acima de US$ 50, o Imposto de Importação é de 60%, com dedução fixa de US$ 30, mais o ICMS. Em site não certificado, os 60% incidem sem a dedução e a cobrança ocorre na entrada da encomenda no país.
O que o comunicado não diz
Os Correios não informaram data de início da operação, apenas que ela já começou. Não divulgaram preço de frete, prazo em número de dias nem previsão de entrada de outras lojas paraguaias. Também não há menção a limite de valor por encomenda além do que a legislação de remessas já impõe.
Quem sente e em quanto tempo
O teto de 30 kg cobre praticamente todo pedido típico de e-commerce, o que coloca a maior parte do catálogo de Ciudad del Este ao alcance do canal: celular, informática, áudio, perfumaria, relógio e brinquedo. O vendedor brasileiro dessas categorias é o primeiro atingido, porque disputa exatamente a mesma cesta.
A comparação que decide a exposição de cada um não é a de preço de vitrine. É a de preço final: produto mais frete internacional mais imposto embutido no checkout paraguaio, contra o preço de prateleira do vendedor brasileiro já com tributo e frete. Abaixo de US$ 50 a conta do lado paraguaio dispensa o imposto federal, o que estreita a diferença em item de ticket baixo. Acima desse valor, os 60% com dedução de US$ 30 alargam a diferença de novo.
Sem reação, o efeito é de desvio de demanda, não de queda de mercado: o comprador que antes ia à fronteira ou pedia por intermediário passa a comprar de casa, com nota, rastreio e tributo pago. Não há prazo a cumprir nem cadastro a fazer, porque nada é exigido do vendedor brasileiro. O que existe é um concorrente novo com a mesma malha de entrega que ele usa.