O que o seu ERP não calcula para você

Equipe Truesail · Atualizado em

Quem vende produto físico normalmente tem um sistema de gestão. Ele emite nota, controla estoque, registra pedidos, integra com marketplace e organiza o financeiro, e tirar o ERP da operação por um dia é parar a operação.

Mesmo assim, é comum abrir o ERP no fim do mês e não conseguir responder uma pergunta simples, que é quanto sobrou naquele pedido. A resposta não está lá por uma questão de escopo, e não por defeito do sistema.

Este guia mostra o que o ERP resolve muito bem e por que o custo real de cada pedido fica fora do que ele foi projetado para fazer. Mostra também o que essa diferença muda na hora de decidir se um pedido compensa, se um desconto cabe ou se aquele frete grátis se paga.

O que o ERP faz, e faz bem

O começo é pelo mérito, porque a lista é longa e ele é real. Cinco frentes dependem do sistema de gestão todos os dias.

Essa lista explica por que o ERP é insubstituível. Explica também por que ele não faz outra coisa.

O ERP é um sistema de registro

A diferença que explica o resto está aqui. O ERP registra o que aconteceu, e precisa ser excelente nisso, porque nota fiscal errada gera multa, estoque errado vende produto que não existe e financeiro errado vira problema com o contador.

Sistema de registro trabalha com fato consumado. O pedido entrou, a nota saiu, a mercadoria foi despachada, o dinheiro caiu, e cada evento é anotado com precisão, na ordem em que acontece.

O que ele deixa de fora é o que vai acontecer se você decidir diferente. Essa pergunta pertence a outra categoria de ferramenta, do mesmo jeito que ninguém pede ao extrato bancário que projete o mês seguinte.

Onde o custo real escapa

O custo de um pedido tem componentes que chegam em momentos diferentes, por caminhos diferentes. A tabela mostra onde cada um está e quando ele vira número.

Componente Onde está Quando vira número
Custo da mercadoria cadastro do produto na primeira compra, e raramente é atualizado
Frete de entrada outro documento, com vencimento próprio quando a transportadora cobra
Frete de saída fatura da transportadora depois do despacho
Comissão do canal repasse do marketplace dias ou semanas depois da venda
Taxa de pagamento extrato do adquirente consolidada com as outras do período
Imposto guia do regime no fechamento do mês

O custo da mercadoria está no ERP, e costuma ser o valor cadastrado na primeira compra. Quando o mesmo produto entra por preços diferentes ao longo do ano, o custo médio real muda e o cadastro raramente acompanha, como mostra o guia sobre CMV.

O frete de entrada chega separado, muitas vezes em outro documento e com vencimento próprio. É lançado como despesa de transporte e não volta para o custo do produto que o gerou.

O frete de saída só vira número depois do despacho, quando a transportadora fecha o conhecimento. Na hora em que o pedido entrou, ele era estimativa, feita com o peso cadastrado, que nem sempre é o peso cobrado.

A comissão do canal, a taxa de pagamento e o imposto chegam depois e consolidados. A comissão aparece no repasse do marketplace, a taxa vem no extrato do adquirente somada com as outras do período, o imposto é apurado sobre o faturamento total, e nenhum dos três volta pedido a pedido.

Todas essas informações existem, e quase sempre estão dentro do próprio ERP. O que falta é elas estarem juntas, no mesmo lugar, no momento em que a decisão precisa ser tomada.

Para chegar ao número de um pedido, alguém precisa abrir o relatório de vendas, cruzar com o de custos, exportar o repasse do marketplace, buscar a fatura da transportadora e montar uma planilha. Dá para fazer, e até fazer bem, mas não para todos os pedidos, todos os dias, antes de faturar cada um.

O dado existe, o tempo não

Há uma diferença entre a informação estar disponível e ela estar acessível na hora certa. A escolha de transportadora mostra a diferença melhor do que qualquer definição.

A resposta certa depende do destino, do peso cobrado e da tabela de cada transportadora naquela faixa. Para descobrir de verdade, é preciso cotar uma por uma e comparar antes de despachar, e com oito transportadoras e trinta pedidos por dia ninguém faz isso.

Na prática, vale a regra de bolso. "Para São Paulo sempre mando pela X", "acima de 10 kg vai pela Y", regras que nascem de uma cotação feita meses atrás e funcionam na média, errando nos casos específicos, que são justamente os que doem.

O desconto segue o mesmo caminho. Quando o cliente pede 10% e a resposta precisa sair em dois minutos, ninguém abre planilha para conferir se aquele produto, naquele destino, ainda tem margem.

O limite parametrizado no sistema costuma ser um percentual único, igual para todo produto, definido uma vez e raramente revisto. Ele impede o desconto absurdo, sem saber que aquele item específico já saía apertado antes do desconto.

Nas duas situações, o dado existia. O que faltou foi tempo entre a pergunta e a decisão.

Saber depois e saber antes

Quem sabe depois corrige o próximo mês, e quem sabe antes escolhe o pedido de hoje. A diferença entre as duas coisas é de resultado, e não de conforto.

O relatório que mostra a margem do mês fecha quando os pedidos já foram faturados, despachados e entregues. Ele serve para entender o que aconteceu, e isso tem valor, mas não impede que o mesmo erro se repita no mês seguinte, como mostra o guia sobre DRE gerencial.

Outras perguntas seguem a mesma lógica da escolha de transportadora, e só têm utilidade se a resposta chegar antes. Três delas aparecem toda semana.

Nenhuma delas é pergunta de sistema de registro. Todas dependem de ter o custo completo montado no momento em que o pedido entra.

O que isso não significa

Duas conclusões erradas costumam sair daqui. As duas custam caro.

O que dá para fazer sem trocar nada

O primeiro passo não depende de sistema nenhum. Pegue os cinco produtos que mais vendem e monte a conta completa à mão, uma vez.

Entram o custo real da mercadoria, com frete de entrada incluído, o frete de saída para os destinos mais frequentes, a embalagem, a taxa do meio de pagamento, a comissão do canal e o imposto do regime. O guia sobre margem real mostra a conta inteira, e o guia sobre como calcular frete cobre a parte que mais varia.

Depois compare o resultado com o que você imaginava que aquele produto dava. Se a diferença for pequena, sua intuição está calibrada e dá para confiar nela na próxima decisão. Uma rodada basta para saber de que lado você está.

Se for grande, os preços, os descontos e as regras de frete grátis que você definiu partiram de um número que não existia. O ERP não tinha como avisar, porque essa conta nunca esteve no escopo dele. A comparação entre a margem do ERP e as outras formas de acompanhar está no guia sobre margem por pedido.

Onde o Truesail entra

O Truesail trabalha ao lado do ERP, sem substituir nada do que ele já faz. Os pedidos entram sozinhos, e cada um ganha a conta que o ERP não faz: quanto sobra depois de todos os custos.

Essa conta aparece antes da nota, enquanto ainda dá para mudar o frete, o desconto ou a transportadora. A margem antes de faturar mostra cada parte dela.

Falar no WhatsApp Como funciona

Quando alguma dessas contas muda, sai no Observatório: tributação, frete, pagamentos e canais de venda, com o efeito no custo de cada pedido.