O lojista latino-americano que vende on-line perdeu terreno na disputa mais cara do checkout: a reclamação falsa. O abuso do consumidor, categoria em que entra o pedido que o comprador jura não ter recebido, subiu 168% na América Latina entre janeiro e abril de 2026 contra o mesmo período de 2025. O número é da Signifyd, no State of Fraud Report 2026, divulgado em 6 de agosto de 2026.

Na mesma janela, a pressão de fraude sobre os comerciantes latino-americanos cresceu 7,5% e o valor médio da tentativa de fraude subiu 3%. É a conta que chega ao vendedor, não ao banco: quando o comprador alega que a encomenda não chegou, quem devolve o dinheiro e perde a mercadoria costuma ser quem vendeu.

Os números por região

O relatório separa América do Norte, Europa e Reino Unido e América Latina. Na América do Norte, a pressão de fraude cresceu 33% no período. A tomada de conta, em que o criminoso assume o login de um cliente já cadastrado, subiu 78% na América do Norte e 67% na Europa e no Reino Unido. Ainda na América do Norte, o teste de cartão avançou 175%, a fraude em compra on-line com retirada em loja subiu 65% e a fraude de primeira parte somada ao abuso do consumidor subiu 9%.

A base é a Signifyd Commerce Network, que a empresa descreve como milhares de comerciantes on-line e 950 milhões de carteiras digitais únicas.

O que o relatório diz sobre o Brasil

O documento em inglês não abre percentuais próprios para o Brasil. Registra um padrão: quadrilhas brasileiras passaram a mirar plataformas de entrega no mesmo dia para rodar ataques de teste de cartão, em que compras de valor baixo servem para descobrir quais cartões roubados ainda funcionam. A Signifyd informou ao E-Commerce Brasil que a edição em português, com recorte local, sai em setembro de 2026. Até lá, não há número brasileiro publicado pela empresa.

Quem sente e o que conferir

O efeito não para no vendedor. A transportadora entra na conta porque o comprovante de entrega passa a ser a prova que decide a disputa. A operação de entrega no mesmo dia entra porque é o alvo apontado para teste de cartão: a janela curta entre aprovação e despacho deixa menos tempo para a análise antifraude reprovar o pedido.

Sem ação, o custo aparece em dois lugares diferentes do resultado. A tentativa com cartão roubado volta como chargeback do adquirente. A reclamação falsa de não entrega volta como estorno e perda de estoque, e não passa pelo chargeback, o que faz muita loja contabilizar isso como devolução comum e não como fraude.

O que o lojista consegue conferir no próprio caso agora: a proporção de pedidos com alegação de não recebimento nos últimos quatro meses contra o mesmo período do ano passado, se o comprovante de entrega exigido do transportador inclui assinatura ou geolocalização, e se a modalidade de entrega no mesmo dia usa a mesma régua de análise das demais.