O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 16,9% sobre o mesmo período de 2025, e despachou 756,7 milhões de pedidos, 34,8% a mais. Os números são do relatório "Da Compra à Confiança", divulgado pela Confi em 28 de julho de 2026, no Fórum E-Commerce Brasil, em São Paulo. A empresa reúne a plataforma de dados Neotrust e a operação de pós-venda Aftersale, e produziu o estudo em parceria com o E-Commerce Brasil.

O pedido encolheu enquanto o volume crescia. O ticket médio caiu 13,3%, para R$ 275,50, e o número de itens por compra recuou de 2,25 para 1,97, queda de 12,4%. Como os pedidos subiram bem mais que o faturamento, cada real vendido passou a corresponder a 15,3% mais pedidos que um ano antes.

Cinco categorias concentram o topo do faturamento

O ranking do semestre por receita ficou assim:

Saúde teve o maior crescimento do semestre, de 45,8%, puxado por canetas emagrecedoras, que movimentaram R$ 6,1 bilhões com alta de 213%.

Para o segundo semestre, a Confi projeta R$ 254 bilhões, 20% acima do mesmo período de 2025. Confirmada a projeção, 2026 fecharia em R$ 462,5 bilhões, alta de 18,6% no ano. O levantamento é construído sobre transações reais de mais de sete mil lojas e sobre o perfil de mais de 85 milhões de consumidores digitais.

O que muda para quem embala e transporta

Mais pedidos com menos itens significa mais caixas, mais etiquetas, mais coletas e mais entregas para faturar o mesmo valor. O custo logístico por real vendido sobe quando a operação não acompanha a diluição: separação, embalagem, frete e atendimento são custos por pedido, não por real. Um crescimento de 34,8% em pedidos contra 16,9% em faturamento é a diferença que aparece na conta.

O efeito passa por toda a cadeia. Lojista e marketplace sentem no custo de fulfillment e na política de frete grátis, que fica mais cara quando o ticket médio recua para R$ 275,50. Transportadora e operador logístico sentem no aumento de volumetria com peso menor por objeto. Fabricante que vende direto sente na embalagem e na estrutura de picking.

Quem opera com tabela de frete negociada por faixa de peso ou por pedido tem motivo para conferir se o mix real da operação ainda corresponde ao contratado. Duas verificações resolvem: a evolução de pedidos por mês contra a evolução do faturamento, e o custo logístico por pedido no semestre comparado ao do ano anterior.

Não há comunicado público da Confi localizado com esses dados. Os números aqui são os divulgados pela empresa e reproduzidos por quatro veículos independentes.